quarta-feira, 9 de maio de 2012
@Elianah
Caramba! Faz tempo que não escrevia aqui!
É que ando meio sem tempo e às voltas com um novo e estimulante trabalho: a produção do reality show "The Amazing Race", temporada IV, que está ficando bem legal.
Além disso estou fazendo uma especialização em Opinião Pública e Comunicação Política, na bela Universidade Simón Bolívar, sem contar com as minhas outras atividades.
Mas, quem quiser me acompanhar, pode me seguir no Twitter, no perfil @Elianah.
Será um prazer informá-los por lá!
Um abraço e até breve! @Elianah
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Adjetivo usado por HC ganha a boca do povo
Bastou que a pessoa mais famosa de toda a Venezuela chamasse o candidato opositor Henrique Capriles Radonski de "majunche" para o adjetivo ganhar a boca do povo.
Nas últimas cadeias nacionais, o presidente Chávez usou várias vezes a palavra "majunche", que conforme o dicionário Real Academia de la Lengua (RAE) significa "De calidad inferior, deslucido, mediocre".
Logo pipocou nas redes sociais brincadeiras de todo o tipo com a palavra. O povo também gostou da nova de Chávez e, mesmo com o sentido pejorativo, nos cafés, pontos de coletivos e demais locais com aglutinacao pública o que mais se ouve é "majunche".
A criatividade dos venezuelanos sugeriu outro significado e desta vez "majunche" seria a sigla para o Movimento Ativo de Jovens Unidos Contra Hugo nas Eleicoes.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Quem é Henrique Capriles Radonski?
Henrique Capriles Radonski ganhou 1.806.868 de votos, dos quase três milhões de venezuelanos que foram às urnas.
Conheça o perfil do candidato que em sete de outubro vai disputar com HC a presidência da Venezuela.
Ele despontou no mundo político aos 26 anos quando tomou posse como deputado. Em seguida assumiu a prefeitura de Baruta durante dois mandatos e agora, aos 39 anos, governa Miranda, o segundo maior estado e um dos mais complexos da Venezuela. Também exerceu a presidência da Assembleia Nacional, posto atualmente ocupado por um integrante do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela.
Um momento delicado ocorreu quando Henrique Capriles foi incriminado por tentativa de invasão da Embaixada de Cuba e golpe contra o governo em 2002. Por causa desta acusação ele ficou recluso na Direção de Serviços de Inteligência e Prevenção, sendo liberado em 2004.
Capriles não é de muito falar, costuma trocar a eloqüência por atos. Faz política junto aos pobres e talvez seja por isto que tenha despontado como um dos principais pré-candidatos mesmo antes do lançamento da campanha.
O jovem bem-nascido de Caracas, formado em Direito em uma universidade particular, trocou o mundo da burocracia jurídica pelo contato direto com o povo nas ruas e favelas que costuma visitar. Nem por isso deixam de tachá-lo de candidato da direita. “Não sou homem de rótulos, mas, se tenho que adotar uma definição ideológica, me sinto cômodo com a de centro-esquerda”, declarou.
- Capriles Radonski é enigmático. Ele não arremete contra ninguém e mesmo assim consegue ser compreendido. Não faz grandes discursos, mas consegue falar aos jovens. Radonski ainda não foi etiquetado e o oficialismo tem cuidado porque ele também tem uma relação emotiva similar a que Chávez conseguiu estabelecer com as pessoas. Ele se aproximou dos pobres com atos e sem fazer esforço, explicou Argélia Ríos.
Um dos pontos fortes do chavismo é a forte penetração nas classes menos favorecidas economicamente. Mesmo com as benesses que o governo tem concedido a esta camada da população ainda há os descontes, os que se definem chavistas mas apreciam a conduta de Capriles Radonski. Foi o suficiente para surgir rumores de que ele seria a carta-coringa de Chávez na oposição.
- Alguns se aproximam para dizer que gostam de Chávez, mas estão de acordo com a minha gestão. Eles são os chamados “chaca-chaca”, chavistas com Capriles. Tenho que trabalhar duro para conseguir a confiança e este é o meu desafio. Este é um processo de renovação da política nacional. Não sou candidato do chavismo. Eu derrotei o braço direito de Chávez, que é Diosdado Cabello, nas últimas eleições pelo governo de Miranda, definiu.
Capriles diz estar aberto a conversar com quem quer que seja. Em 2010, durante uma sessão no Conselho Federal de Governo, Capriles encontrou com o presidente Chávez e os dois apertaram as mãos e travaram um diálogo amistoso durante alguns minutos. Choveram críticas por todos os lados. O opositor declarou em seu perfil no Twitter que apenas uma parcela da população estava representada naquela instância. O chefe de Estado então o chamou de mentiroso, irresponsável e político de fachada. O capítulo foi encerrado quando Radonski contestou que não havia problemas em dar a mão a quem quer que fosse afinal a prioridade era o estado de Miranda, onde governa.
Veja mais em http://www.ultimasnoticias.com.ve/noticias/actualidad/politica/el-que-desmonto-la-maquinaria.aspx
Dia de votação transcorreu tranquilo na Venezuela
Apesar das longas filas e do sol forte, o clima em Caracas era de tranquilidade neste dia de eleições primárias, data conhecida por aqui como 12F.
Perto da Praça Bolívar de Chacao, município de maioria opositora da capital, na frente de um dos maiores pontos de votação da região, a Escola Andres Bello, o povo aguardava a hora de votar.
Não era obrigatório pintar o dedo, conforme costuma acontecer em outras eleições. Pintava apenas quem queria: os opositores o faziam espontaneamente e outros preferiram manter sua privacidade resguardada.
Nas imediações do colégio, para se proteger do sol uma senhora usava um guarda-chuva que dava mostras do caráter democrático desta eleição:
Nas redes sociais as mensagens informavam em quais pontos havia filas, além de chamar o povo para votar. Uma das fotos postada no Twitter mostrava pessoas na Zona Oeste de Caracas, região de maioria chavista, esperando a hora do voto.
Agora as mesas de votação já foram fechadas e a população aguarda o resultado das urnas para saber quem, dos cinco pré-candidatos, fará frente a Hugo Chávez em outubro deste ano rumo à presidência da República Bolivariana da Venezuela.
Perto da Praça Bolívar de Chacao, município de maioria opositora da capital, na frente de um dos maiores pontos de votação da região, a Escola Andres Bello, o povo aguardava a hora de votar.
Não era obrigatório pintar o dedo, conforme costuma acontecer em outras eleições. Pintava apenas quem queria: os opositores o faziam espontaneamente e outros preferiram manter sua privacidade resguardada.
Nas imediações do colégio, para se proteger do sol uma senhora usava um guarda-chuva que dava mostras do caráter democrático desta eleição:
Nas redes sociais as mensagens informavam em quais pontos havia filas, além de chamar o povo para votar. Uma das fotos postada no Twitter mostrava pessoas na Zona Oeste de Caracas, região de maioria chavista, esperando a hora do voto.
Agora as mesas de votação já foram fechadas e a população aguarda o resultado das urnas para saber quem, dos cinco pré-candidatos, fará frente a Hugo Chávez em outubro deste ano rumo à presidência da República Bolivariana da Venezuela.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Oposição vai às urnas para definir opositor de Chávez
Apenas um dos cinco pré-candidatos será eleito pelo povo para, em outubro deste ano, tentar derrotar Chávez, no poder há 13 anos no poder.
Um voto de confiança. Será isto que alguns venezuelanos farão no domingo, data que está sendo conhecida por aqui como 12F, (12 de fevereiro) ao ir às urnas para eleger um dos cinco candidatos da oposição que, em outubro deste ano, vai tentar derrubar Hugo Chávez do posto que ele ocupa há 13 anos. Das 17 milhões de pessoas habilitadas a votar, apenas uma pequena parcela da população deverá ir às urnas neste país onde o voto não é obrigatório. Mais que escolher quem medirá forças com Chávez, o que será avaliado é a penetração do setor opositor entre os votantes e se a popularidade do chavismo se mantém em alta, conforme apontam as pesquisas de opinião.
Com quatro homens e apenas uma mulher reunidos na chamada Mesa de Unidade Democrática (MUD) a oposição busca recuperar sua credibilidade. A mancha causada pelo abandono das cadeiras na Assembleia Nacional em 2005 maculou a reputação da ala opositora e deixou seus seguidores a ver navios. Além de minimizar o passado, esta é a possibilidade de reconquistar os eleitores.
Criada por mais de trinta organizações de diversos espectros políticos, a MUD foi formalizada em 2008. Para dar conta de um país dividido, com altos índices de homicídio, escassez de produtos e uma crescente inflação, seus integrantes formularam um documento de 165 páginas no qual definiram um programa de governo.
Embora as eleições primárias sejam um processo interno da MUD, é a Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que organiza toda a logística, treina os mesários e disponibiliza o material eleitoral. Haverá 3.707 centros que contarão com 7.691 pontos de votação. A Mesa vai arcar com 25% dos custos da eleição, orçada em 100 milhões de bolívares fortes (o equivalente a U$ 22 milhões, na cotação oficial), pagos por cotas. Os 75% restantes estão a cargo do CNE.
Esta será a primeira vez que os venezuelanos residentes no exterior, em 80 países, poderão votar.
Além da vontade de criar uma nova Venezuela, três dos cinco pré-candidatos apresentados pela MUD têm em comum a origem. Henrique Capriles Radonski, Maria Corina Machado e Diego Arria são de tradicionais e abastadas famílias venezuelanas, os chamados oligarcas no linguajar chavista. Setor no qual não se inclui Pablo Pérez nem Pablo Medina.
Conheça o perfil dos candidatos:
Sempre vestindo camisas de cores claras, a pré-candidata independente e não filiada a nenhum partido político Maria Corina Machado surpreendeu o país ao usar a cor do oficialismo durante um debate com os pré-candidatos. Não causou impacto apenas ao alegar que o vermelho fora usurpado do povo venezuelano pelo atual governo. Em outra ocasião, após ouvir por oito horas Hugo Chávez discursar na Assembleia Nacional, Corina interrompeu o presidente e em menos de dois minutos resumiu os motivos que causam o descontento dos opositores.
Com a frase “expropriar é roubar”, Maria Corina consagrou sua campanha. O resultado pode ser visto nos grafites feitos por partidários da deputada em muros da capital. Com a afronta a Chávez em cadeia nacional, a mais votada deputada pelo município Miranda (um dos mais importantes no país) nas últimas eleições parlamentares, realizadas em 2010, somou alguns percentuais nas pesquisas de opinião.
Apoiada na forte crença dos venezuelanos nas santas católicas, Corina, de 44 anos, lançou primeiro o slogan “Vem Maria”, para em seguida fazer uma chamado a todas as mães que perderam seus filhos vitimados pela violência e então sugerir ao povo “Vota Firme”, reforçando uma de suas frases que se tornou bordão de campanha: “somos maioria”.
Cautelosa no que diz respeito à sua família, a engenheira e ex-professora universitária foi acusada de traição à pátria porque teria assinado o decreto de posse do golpista Pedro Carmona, que em 2002 afastou Chávez do poder por menos de dois dias. Marina Corina negou seu envolvimento nos fatos. Por causa desta suposição, ficou dois anos sem poder sair do país. Também esteve à frente da Súmate, organização civil sem fins lucrativos que organizou a coleta de assinaturas para convocar o referendum revogatório de 2004. Na ocasião, setores chavistas afirmaram que a organização seria mantida pelos Estados Unidos. Uma foto ao lado de George Bush na Casa Branca foi a gota d´água para que Chávez afirmasse que Súmate servia de fachada para orquestrar um plano conspiratório contra seu governo.
Mesmo com o amadurecimento político que vem ganhando nos últimos anos, analistas apontam que ainda não será desta vez que Machado terá chance de ter seu nome nas eleições presidenciais de outubro próximo.
Para Argélia Ríos, jornalista especializada em política, a candidata é vista com resistência em alguns setores, muito por causa da derrota no referendo no qual o chavismo saiu vitorioso, com 60% dos votos:
- Falta estratégia adequada à opinião pública. Machado faz uma campanha confrontacional. Ela confronta Chávez com as mesmas armas. Para ganhar de Chávez é preciso algo que destaque a diferença e que conquiste e ofereça ao povo uma mudança.
Capitalismo popular
Corina é contrária às expropriações e luta pela propriedade privada. No seu plano de governo, ela aposta naquilo que chama de capitalismo popular. Partidários do chavismo afirmam que esta proposta nada mais é que o socialismo travestido. A pré-candidata fala em reconstruir o aparelho econômico para que haja um intercâmbio salutar entre empresários e trabalhadores e um reequilíbrio do setor econômico.
O modelo aplicado pelo governo Lula e seguido pelo de Dilma Rousseff é visto com bons olhos por Corina, que dispensa rótulos ao evitar posicionar-se como política:
- Se acreditar na inclusão social significa ser de esquerda, eu sou de centro-esquerda. Se defender a propriedade e a iniciativa privada significa ser de direita, então eu sou direita, declarou.
Em seu histórico profissional ela já assumiu cargos diretivos, mas no setor político a falta de experiência de Maria Corina Machado a aponta como uma semente para o futuro, segundo Argélia Ríos:
- O que ela fez um ensaio de candidatura. Ela precisa de maior disciplina estratégica, o que fez foi se confrontar com Chávez e este é um modelo tão desgastado quanto o próprio chavismo.
Corina está começando a caminhar com firmeza no território da política, setor no qual os demais colegas da MUD já se consolidaram. É o caso de Henrique Capriles Radonski, que despontou no mundo político aos 26 anos quando tomou posse como deputado. Em seguida assumiu a prefeitura de Baruta durante dois mandatos e agora, aos 39 anos, governa Miranda, o segundo maior estado e um dos mais complexos da Venezuela. Também exerceu a presidência da Assembleia Nacional, posto atualmente ocupado por um integrante do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela.
Um momento delicado em sua vida foi quando Henrique Capriles foi incriminado por tentativa de invasão da Embaixada de Cuba e golpe contra o governo em 2002. Por causa desta acusação ele ficou recluso na Direção de Serviços de Inteligência e Prevenção, sendo liberado em 2004.
Capriles não é de muito falar, costuma trocar a eloqüência por atos. Faz política junto aos pobres e talvez seja por isto que tenha despontado como um dos principais pré-candidatos mesmo antes do lançamento da campanha.
O jovem bem-nascido de Caracas, formado em Direito em uma universidade particular, trocou o mundo da burocracia jurídica pelo contato direto com o povo nas ruas e favelas que costuma visitar. Nem por isso deixam de tachá-lo de candidato da direita. “Não sou homem de rótulos, mas, se tenho que adotar uma definição ideológica, me sinto cômodo com a de centro-esquerda”, declarou.
- Capriles Radonski é enigmático. Ele não arremete contra ninguém e mesmo assim consegue ser compreendido. Não faz grandes discursos, mas consegue falar aos jovens. Radonski ainda não foi etiquetado e o oficialismo tem cuidado porque ele também tem uma relação emotiva similar a que Chávez conseguiu estabelecer com as pessoas. Ele se aproximou dos pobres com atos e sem fazer esforço, explicou Argélia Ríos.
Um dos pontos fortes do chavismo é a forte penetração nas classes menos favorecidas economicamente. Mesmo com as benesses que o governo tem concedido a esta camada da população ainda há os descontes, os que se definem chavistas mas apreciam a conduta de Capriles Radonski. Foi o suficiente para surgir rumores de que ele seria a carta-coringa de Chávez na oposição.
- Alguns se aproximam para dizer que gostam de Chávez, mas estão de acordo com a minha gestão. Eles são os chamados “chaca-chaca”, chavistas com Capriles. Tenho que trabalhar duro para conseguir a confiança e este é o meu desafio. Este é um processo de renovação da política nacional. Não sou candidato do chavismo. Eu derrotei o braço direito de Chávez, que é Diosdado Cabello, nas últimas eleições pelo governo de Miranda, definiu.
Na política venezuelana é comum a necessidade de dar nome aos bois. Tudo é divido entre chavista ou não-chavistas, a terceira opção são os chamados de “ni-ni”, nem chavista nem oposição.
Capriles diz estar aberto a conversar com quem quer que seja. Em 2010, durante uma sessão no Conselho Federal de Governo, Capriles encontrou com o presidente Chávez e os dois apertaram as mãos e travaram um diálogo amistoso durante alguns minutos. Choveram críticas por todos os lados. O opositor declarou em seu perfil no Twitter que apenas uma parcela da população estava representada naquela instância. O chefe de Estado então o chamou de mentiroso, irresponsável e político de fachada. O capítulo foi encerrado quando Radonski contestou que não havia problemas em dar a mão a quem quer que fosse afinal a prioridade era o estado de Miranda, onde governa.
As pesquisas de opinião apontam Henrique Capriles Radonski na liderança das intenções de voto entre os pré-candidatos, sobretudo após ganhar um aliado de peso no último mês. Leopoldo López, um jovem e experiente político que decidiu abrir mão de sua controversa campanha política para apoiar Capriles. O anúncio feito após o último debate presidencial causou impacto entre os integrantes da MUD e por pouco não gerou um mal-estar entre os demais candidatos.
- Estivemos em organizações políticas diversas e nos demos conta, sem dúvida alguma, que temos o mesmo sonho, o sonho que o povo pobre possa sonhar grande, disse López, então candidato pelo partido Vontade Popular.
De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Datanalisis sobre o impacto do apoio de Leopoldo López à campanha de Capriles Radonski nas intenções de voto aportou a 24% de novos eleitores, somados aos 46% que afirmaram que sua opinião de voto não foi alterada com a união.
- Dia 12 vou acordar bem cedinho para ir votar. Estou com Capriles desde o início, disse Juan Méndez, um senhor de meia-idade que trabalha como caixa um estacionamento na capital.
A bem-sucedida gestão de Leopoldo López no município Chacao, o mais bem organizado e policiado de todo país, e um mestrado em Políticas Públicas na prestigiosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, foram superiores aos processos que limitam sua vida política.
López convocou manifestações de rua que antecederam o golpe contra Chávez, em 2002. Durante o período que o economista trabalhou na Petróleos de Venezuela – PDVSA, a empresa mais emblemática do país. Na ocasião, a ONG Primeiro Justiça, presidida por Leopoldo, foi acusada de receber doações ilegais da estatal, segundo a Controladoria Geral da República. Por este motivo em novembro de 2008 ele foi inabilitado a exercer qualquer cargo público por durante três anos, mesmo sem um julgamento.
O processo de violação de direitos exposto pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos à Corte Interamericana não conseguiu fazer com que a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelana anistiasse a inabilitação. Com isto, ainda que ganhasse nas primárias, não havia garantias de que Leopoldo López poderia concorrer em outubro contra Chávez.
Mesmo fora da competição entre os pré-candidatos, Leopoldo López não se ausentou da campanha. O colega Radonski ofereceu a ele a coordenação geral do Comando Tricolor Nacional, unidade de trabalho espalhada por diversas regiões do país que visa fortalecer os partidos políticos da oposição, conselhos comunais e fortalecer a cidadania. No próximo domingo seus afiliados estarão nas mesas de votação servindo de testemunhas do direito ao voto e da privacidade dos eleitores.
De Zulia para o Miraflores
A História demonstra que é quase uma tradição o Palácio de Miraflores, sede do governo, ter como chefe máximo algum caraquenho, andino ou llanero – região pantaneira da Venezuela. Pablo Pérez diverge deste cenário. O atual governador de Zulia, estado a noroeste onde se encontram as maiores jazidas petrolíferas do país, arrebatou boas porcentagem de intenções de votos ao longo desta campanha.
Ainda que não receba muitos votos dos que moram na capital, é seguro que Pérez saia vitorioso ao menos em seu estado. Muito arraigado aos seus costumes, o povo zuliano é um dos mais regionalistas do país. Outro fator que dá garantia de vitória é o fato de Zulia ser estado não-chavista declarado. Nas eleições parlamentares de 2010 o oficialismo sofreu um nocaute na região e Zulia conquistou 16 assentos na Assembleia Nacional.
Outro fator que o beneficia é sobrenome Pérez. Tão comum na Venezuela quanto o Silva no Brasil. Para efeito de comparação, ele seria o Paulo da Silva, por assim dizer. A sonoridade dos nomes também ajuda a identificá-lo com as massas. A cor morena e as poses nas fotos publicitárias o aproximam da figura de Hugo Chávez, mas sem o mesmo carisma.
- Os números das pesquisas nem sempre são confiáveis. Muitas vezes elas são concentradas apenas na capital. A campanha de Pablo Pérez pode ter sido bem interessante no interior do país, pois os resultados são muito diferentes nas regiões urbanas e no interior, explica Colette Capriles, professora de Ciência Política da Universidade Simón Bolívar.
As propostas de campanha são semelhantes e seguem a mesma linha: reduzir a violência, desestatizar os setores produtivos e, o ponto mais delicado, acabar com o caráter partidarista das Forças Armadas Nacionais (FAN) e integrá-las ao próximo governo que assuma a presidência.
No último quatro de fevereiro, dia em que Chávez e seus seguidores comemoram a tentativa do golpe de Estado de 1992, o presidente declarou que as Forças Aramadas Nacionais (FAN) são chavistas, contrariando a Constituição Federal e suscitando rumores de este seria uma ameaça caso ocorra uma vitória da oposição em outubro.
As declarações do presidente soaram como uma afronta e intimidação àqueles que pensam em ir às urnas no domingo. Outro receio da população é ter seu nome veiculado em alguma lista negra, similar a Lista Tascón, onde todos que assinaram em prol do referendum revogatório sofreram algum tipo de sanção por parte do governo.
Colette Capriles acredita que apenas uma pequena parcela da população irá exercer seu direito de votar no domingo, já que não há obrigatoriedade do voto na Venezuela, como, por exemplo, acontece no Brasil:
- Acredita-se que haverá cerca de quatro milhões de abstenções no próximo domingo, que é o número de funcionários contratados pelo Estado e este é um tema delicado. Acredito que a participação popular será entre 10% e 20% no próximo domingo, mas este número certamente será bastante maior em outubro, estimou.
Teresa Albanes, presidente da Comissão Eleitoral das Primárias, em entrevista coletiva, explicou que a população não precisa ter medo de votar e explicou as regras definidas para que cada eleitor tenha sua privacidade resguardada e não será usada a tinta para marcar cada votante:
- Ninguém vai ter seu dedo pintado. O registro onde aparecerá o nome do eleitor estará em mãos de integrantes da MUD e após a verificação do número de votos e votantes esta lista será queimada. Não há risco desta listagem parar em mãos erradas. Está garantida a privacidade para cada venezuelano votar em quem quer que seja, garantiu Albanes.
Diego Arria, o candidato das Redes Sociais
Enquanto a maioria dos candidatos ia às ruas para conquistar o eleitor, o ex-embaixador e ex-secretário de Kofi Annan nas Nações Unidas, Diego Arria, depois de denunciar Hugo Chávez na Corte penal Internacional de Haya, preferiu usar as redes sociais para ser a vitrine de sua campanha.
Sempre com seus aparelhos celulares de última geração em mãos, o povo venezuelano é um dos que mais faz uso das redes sociais, seja para expressar suas opiniões ou para obter informação. O artifício tecnológico foi aproveitado pelos pré-candidatos. Mas, neste ponto, Diego Arria superou a todos. No Twitter @Diego_Arria foram postadas 35 mil mensagens aos 131 mil seguidores.
O canal de Arria no Youtube apresenta 207 vídeos que contam sua trajetória política e suas ambições para a Venezuela. Para efeito de comparação, o candidato que vem liderando as pesquisas postou cerca de quatro mil twitters para os 360 mil seguidores.
Diego se denomina o presidente da transição, propõe criar uma nova Constituição e estabelecer um período de governo de três anos, metas que segundo ele permitiriam recriar o país.
Nesta corrida presidencial onde todos estão por e um está por todos, os candidatos evitam falar mal uns dos outros e tentam demonstrar união, conforme sugere o nome da coligação: Mesa de Unidade Democrática. Mas não é o que parece acontecer com Diego Arria e o também pré-candidato Pablo Medina, cujas candidaturas estão opacadas, seja pela linha de campanha, seja pelo pasado.
- A ida de Diego a Haya o isolou. O governo de Hugo Chávez não é comparável ao de Augusto Pinochet (militar que comandou a ditadura no Chile), tampouco a oposição se parece com a oposição chilena. Levar Chávez a Haya foi visto pela oposição como uma briga na qual não vale a pena meter-se, explicou Argélia Ríos.
Antes com Chávez, agora contra Chávez
O ex-guerrilheiro Pablo Medina tem história para contar. Nasceu em uma família pobre no interior do país e ainda muito cedo abandonou os estudos para entrar para a guerrilha. De lá foi estudar na antiga União Soviética, onde ficou encantado pelos direitos sociais, embora seja contra que o Estado seja dono de tudo e que não haja democracia. Trabalhou em Sidor, o Complexo Siderúrgico do Orinoco. Ao se mudar para Caracas chegou à Faculdade de Direito, mas abandonou o curso pela causa sindical. Afirma ter conhecido Hugo Chávez em 1977, coisa que o presidente nega, mas ambos orquestraram o golpe de 1992 que fracassou.
Ele não esclarece o que houve para romper com o antigo colega de causas revolucionárias, mas dá mostras de que Chávez o deixou desprotegido ao não enviar as armas que ambos haviam combinado para o mencionado golpe de 1992.
Sua última excentricidade foi denunciar o presidente na Organização de Estados Americanos (OEA), na última quinta-feira (09 de fevereiro) sobre um possível autogolpe de Hugo Chávez, vide as recentes declarações sobre a proximidade entre a FAN e o regime bolivariano, caso o resultado nas urnas em outubro deste ano seja favorável à ala opositora.
- O general Rangel Silva está parcializado. É necessário ter um militar institucional e ético. Esperamos uma observação internacional que esteja no país em até seis meses antes do proceso eleitoral, declarou.
Entre suas propostas de governo, Medina aposta na criação de uma aliança social para fortalecer a economia e gerar emprego. Caso tome posse, a primeira coisa seria convocar uma Assembleia Constituinte para modificar os poderes públicos. O sindicalista e dirigente do Partido Laborista manteria o controle cambiário, mas em outra esfera fora da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi) por considerá-la “uma fonte de corrupção”.
Ainda divididos, porém com maior disposição ao diálogo que em anos atrás, o povo venezuelano terá que decidir se continua com o mesmo regime e suas possibilidades ou se parte para o desafio de escolher um dos cinco pré-candidatos.
- Não há grande diferenças ideológicas entre eles, que são todos social-democratas com algumas intervenções. Eles mantêm um acordo tácito, mas, sem dúvida, há matizes que privilegiam um ou outro em maior e menor escala, mas os projetos são os mesmos. A unidade é o que vai resolver, afinal o venezuelano está cansado de brigas e de divisões, explica Colette.
Segundo a especialista na área política, está será uma boa oportunidade para avaliar como o chavismo sustenta sua popularidade mesmo 13 anos depois de ter chegado ao governo.
- Vai ser uma boa oportunidade de mudança para fazer uma verificação do setor político no país, sem contar com a saúde do presidente, cujo hermetismo das informações não nos deixa claro por mais quanto tempo ele estará no poder, disse Colette Capriles.
É neste amplo e complexo panorama que alguns venezuelanos, aqueles descontentes com o governo de Hugo Chávez, vãos às urnas para escolher o caminho que tomará o país.
Um voto de confiança. Será isto que alguns venezuelanos farão no domingo, data que está sendo conhecida por aqui como 12F, (12 de fevereiro) ao ir às urnas para eleger um dos cinco candidatos da oposição que, em outubro deste ano, vai tentar derrubar Hugo Chávez do posto que ele ocupa há 13 anos. Das 17 milhões de pessoas habilitadas a votar, apenas uma pequena parcela da população deverá ir às urnas neste país onde o voto não é obrigatório. Mais que escolher quem medirá forças com Chávez, o que será avaliado é a penetração do setor opositor entre os votantes e se a popularidade do chavismo se mantém em alta, conforme apontam as pesquisas de opinião.
Com quatro homens e apenas uma mulher reunidos na chamada Mesa de Unidade Democrática (MUD) a oposição busca recuperar sua credibilidade. A mancha causada pelo abandono das cadeiras na Assembleia Nacional em 2005 maculou a reputação da ala opositora e deixou seus seguidores a ver navios. Além de minimizar o passado, esta é a possibilidade de reconquistar os eleitores.
Criada por mais de trinta organizações de diversos espectros políticos, a MUD foi formalizada em 2008. Para dar conta de um país dividido, com altos índices de homicídio, escassez de produtos e uma crescente inflação, seus integrantes formularam um documento de 165 páginas no qual definiram um programa de governo.
Embora as eleições primárias sejam um processo interno da MUD, é a Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que organiza toda a logística, treina os mesários e disponibiliza o material eleitoral. Haverá 3.707 centros que contarão com 7.691 pontos de votação. A Mesa vai arcar com 25% dos custos da eleição, orçada em 100 milhões de bolívares fortes (o equivalente a U$ 22 milhões, na cotação oficial), pagos por cotas. Os 75% restantes estão a cargo do CNE.
Esta será a primeira vez que os venezuelanos residentes no exterior, em 80 países, poderão votar.
Além da vontade de criar uma nova Venezuela, três dos cinco pré-candidatos apresentados pela MUD têm em comum a origem. Henrique Capriles Radonski, Maria Corina Machado e Diego Arria são de tradicionais e abastadas famílias venezuelanas, os chamados oligarcas no linguajar chavista. Setor no qual não se inclui Pablo Pérez nem Pablo Medina.
Conheça o perfil dos candidatos:
Sempre vestindo camisas de cores claras, a pré-candidata independente e não filiada a nenhum partido político Maria Corina Machado surpreendeu o país ao usar a cor do oficialismo durante um debate com os pré-candidatos. Não causou impacto apenas ao alegar que o vermelho fora usurpado do povo venezuelano pelo atual governo. Em outra ocasião, após ouvir por oito horas Hugo Chávez discursar na Assembleia Nacional, Corina interrompeu o presidente e em menos de dois minutos resumiu os motivos que causam o descontento dos opositores.
Com a frase “expropriar é roubar”, Maria Corina consagrou sua campanha. O resultado pode ser visto nos grafites feitos por partidários da deputada em muros da capital. Com a afronta a Chávez em cadeia nacional, a mais votada deputada pelo município Miranda (um dos mais importantes no país) nas últimas eleições parlamentares, realizadas em 2010, somou alguns percentuais nas pesquisas de opinião.
Apoiada na forte crença dos venezuelanos nas santas católicas, Corina, de 44 anos, lançou primeiro o slogan “Vem Maria”, para em seguida fazer uma chamado a todas as mães que perderam seus filhos vitimados pela violência e então sugerir ao povo “Vota Firme”, reforçando uma de suas frases que se tornou bordão de campanha: “somos maioria”.
Cautelosa no que diz respeito à sua família, a engenheira e ex-professora universitária foi acusada de traição à pátria porque teria assinado o decreto de posse do golpista Pedro Carmona, que em 2002 afastou Chávez do poder por menos de dois dias. Marina Corina negou seu envolvimento nos fatos. Por causa desta suposição, ficou dois anos sem poder sair do país. Também esteve à frente da Súmate, organização civil sem fins lucrativos que organizou a coleta de assinaturas para convocar o referendum revogatório de 2004. Na ocasião, setores chavistas afirmaram que a organização seria mantida pelos Estados Unidos. Uma foto ao lado de George Bush na Casa Branca foi a gota d´água para que Chávez afirmasse que Súmate servia de fachada para orquestrar um plano conspiratório contra seu governo.
Mesmo com o amadurecimento político que vem ganhando nos últimos anos, analistas apontam que ainda não será desta vez que Machado terá chance de ter seu nome nas eleições presidenciais de outubro próximo.
Para Argélia Ríos, jornalista especializada em política, a candidata é vista com resistência em alguns setores, muito por causa da derrota no referendo no qual o chavismo saiu vitorioso, com 60% dos votos:
- Falta estratégia adequada à opinião pública. Machado faz uma campanha confrontacional. Ela confronta Chávez com as mesmas armas. Para ganhar de Chávez é preciso algo que destaque a diferença e que conquiste e ofereça ao povo uma mudança.
Capitalismo popular
Corina é contrária às expropriações e luta pela propriedade privada. No seu plano de governo, ela aposta naquilo que chama de capitalismo popular. Partidários do chavismo afirmam que esta proposta nada mais é que o socialismo travestido. A pré-candidata fala em reconstruir o aparelho econômico para que haja um intercâmbio salutar entre empresários e trabalhadores e um reequilíbrio do setor econômico.
O modelo aplicado pelo governo Lula e seguido pelo de Dilma Rousseff é visto com bons olhos por Corina, que dispensa rótulos ao evitar posicionar-se como política:
- Se acreditar na inclusão social significa ser de esquerda, eu sou de centro-esquerda. Se defender a propriedade e a iniciativa privada significa ser de direita, então eu sou direita, declarou.
Em seu histórico profissional ela já assumiu cargos diretivos, mas no setor político a falta de experiência de Maria Corina Machado a aponta como uma semente para o futuro, segundo Argélia Ríos:
- O que ela fez um ensaio de candidatura. Ela precisa de maior disciplina estratégica, o que fez foi se confrontar com Chávez e este é um modelo tão desgastado quanto o próprio chavismo.
Corina está começando a caminhar com firmeza no território da política, setor no qual os demais colegas da MUD já se consolidaram. É o caso de Henrique Capriles Radonski, que despontou no mundo político aos 26 anos quando tomou posse como deputado. Em seguida assumiu a prefeitura de Baruta durante dois mandatos e agora, aos 39 anos, governa Miranda, o segundo maior estado e um dos mais complexos da Venezuela. Também exerceu a presidência da Assembleia Nacional, posto atualmente ocupado por um integrante do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela.
Um momento delicado em sua vida foi quando Henrique Capriles foi incriminado por tentativa de invasão da Embaixada de Cuba e golpe contra o governo em 2002. Por causa desta acusação ele ficou recluso na Direção de Serviços de Inteligência e Prevenção, sendo liberado em 2004.
Capriles não é de muito falar, costuma trocar a eloqüência por atos. Faz política junto aos pobres e talvez seja por isto que tenha despontado como um dos principais pré-candidatos mesmo antes do lançamento da campanha.
O jovem bem-nascido de Caracas, formado em Direito em uma universidade particular, trocou o mundo da burocracia jurídica pelo contato direto com o povo nas ruas e favelas que costuma visitar. Nem por isso deixam de tachá-lo de candidato da direita. “Não sou homem de rótulos, mas, se tenho que adotar uma definição ideológica, me sinto cômodo com a de centro-esquerda”, declarou.
- Capriles Radonski é enigmático. Ele não arremete contra ninguém e mesmo assim consegue ser compreendido. Não faz grandes discursos, mas consegue falar aos jovens. Radonski ainda não foi etiquetado e o oficialismo tem cuidado porque ele também tem uma relação emotiva similar a que Chávez conseguiu estabelecer com as pessoas. Ele se aproximou dos pobres com atos e sem fazer esforço, explicou Argélia Ríos.
Um dos pontos fortes do chavismo é a forte penetração nas classes menos favorecidas economicamente. Mesmo com as benesses que o governo tem concedido a esta camada da população ainda há os descontes, os que se definem chavistas mas apreciam a conduta de Capriles Radonski. Foi o suficiente para surgir rumores de que ele seria a carta-coringa de Chávez na oposição.
- Alguns se aproximam para dizer que gostam de Chávez, mas estão de acordo com a minha gestão. Eles são os chamados “chaca-chaca”, chavistas com Capriles. Tenho que trabalhar duro para conseguir a confiança e este é o meu desafio. Este é um processo de renovação da política nacional. Não sou candidato do chavismo. Eu derrotei o braço direito de Chávez, que é Diosdado Cabello, nas últimas eleições pelo governo de Miranda, definiu.
Na política venezuelana é comum a necessidade de dar nome aos bois. Tudo é divido entre chavista ou não-chavistas, a terceira opção são os chamados de “ni-ni”, nem chavista nem oposição.
Capriles diz estar aberto a conversar com quem quer que seja. Em 2010, durante uma sessão no Conselho Federal de Governo, Capriles encontrou com o presidente Chávez e os dois apertaram as mãos e travaram um diálogo amistoso durante alguns minutos. Choveram críticas por todos os lados. O opositor declarou em seu perfil no Twitter que apenas uma parcela da população estava representada naquela instância. O chefe de Estado então o chamou de mentiroso, irresponsável e político de fachada. O capítulo foi encerrado quando Radonski contestou que não havia problemas em dar a mão a quem quer que fosse afinal a prioridade era o estado de Miranda, onde governa.
As pesquisas de opinião apontam Henrique Capriles Radonski na liderança das intenções de voto entre os pré-candidatos, sobretudo após ganhar um aliado de peso no último mês. Leopoldo López, um jovem e experiente político que decidiu abrir mão de sua controversa campanha política para apoiar Capriles. O anúncio feito após o último debate presidencial causou impacto entre os integrantes da MUD e por pouco não gerou um mal-estar entre os demais candidatos.
- Estivemos em organizações políticas diversas e nos demos conta, sem dúvida alguma, que temos o mesmo sonho, o sonho que o povo pobre possa sonhar grande, disse López, então candidato pelo partido Vontade Popular.
De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Datanalisis sobre o impacto do apoio de Leopoldo López à campanha de Capriles Radonski nas intenções de voto aportou a 24% de novos eleitores, somados aos 46% que afirmaram que sua opinião de voto não foi alterada com a união.
- Dia 12 vou acordar bem cedinho para ir votar. Estou com Capriles desde o início, disse Juan Méndez, um senhor de meia-idade que trabalha como caixa um estacionamento na capital.
A bem-sucedida gestão de Leopoldo López no município Chacao, o mais bem organizado e policiado de todo país, e um mestrado em Políticas Públicas na prestigiosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, foram superiores aos processos que limitam sua vida política.
López convocou manifestações de rua que antecederam o golpe contra Chávez, em 2002. Durante o período que o economista trabalhou na Petróleos de Venezuela – PDVSA, a empresa mais emblemática do país. Na ocasião, a ONG Primeiro Justiça, presidida por Leopoldo, foi acusada de receber doações ilegais da estatal, segundo a Controladoria Geral da República. Por este motivo em novembro de 2008 ele foi inabilitado a exercer qualquer cargo público por durante três anos, mesmo sem um julgamento.
O processo de violação de direitos exposto pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos à Corte Interamericana não conseguiu fazer com que a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelana anistiasse a inabilitação. Com isto, ainda que ganhasse nas primárias, não havia garantias de que Leopoldo López poderia concorrer em outubro contra Chávez.
Mesmo fora da competição entre os pré-candidatos, Leopoldo López não se ausentou da campanha. O colega Radonski ofereceu a ele a coordenação geral do Comando Tricolor Nacional, unidade de trabalho espalhada por diversas regiões do país que visa fortalecer os partidos políticos da oposição, conselhos comunais e fortalecer a cidadania. No próximo domingo seus afiliados estarão nas mesas de votação servindo de testemunhas do direito ao voto e da privacidade dos eleitores.
De Zulia para o Miraflores
A História demonstra que é quase uma tradição o Palácio de Miraflores, sede do governo, ter como chefe máximo algum caraquenho, andino ou llanero – região pantaneira da Venezuela. Pablo Pérez diverge deste cenário. O atual governador de Zulia, estado a noroeste onde se encontram as maiores jazidas petrolíferas do país, arrebatou boas porcentagem de intenções de votos ao longo desta campanha.
Ainda que não receba muitos votos dos que moram na capital, é seguro que Pérez saia vitorioso ao menos em seu estado. Muito arraigado aos seus costumes, o povo zuliano é um dos mais regionalistas do país. Outro fator que dá garantia de vitória é o fato de Zulia ser estado não-chavista declarado. Nas eleições parlamentares de 2010 o oficialismo sofreu um nocaute na região e Zulia conquistou 16 assentos na Assembleia Nacional.
Outro fator que o beneficia é sobrenome Pérez. Tão comum na Venezuela quanto o Silva no Brasil. Para efeito de comparação, ele seria o Paulo da Silva, por assim dizer. A sonoridade dos nomes também ajuda a identificá-lo com as massas. A cor morena e as poses nas fotos publicitárias o aproximam da figura de Hugo Chávez, mas sem o mesmo carisma.
- Os números das pesquisas nem sempre são confiáveis. Muitas vezes elas são concentradas apenas na capital. A campanha de Pablo Pérez pode ter sido bem interessante no interior do país, pois os resultados são muito diferentes nas regiões urbanas e no interior, explica Colette Capriles, professora de Ciência Política da Universidade Simón Bolívar.
As propostas de campanha são semelhantes e seguem a mesma linha: reduzir a violência, desestatizar os setores produtivos e, o ponto mais delicado, acabar com o caráter partidarista das Forças Armadas Nacionais (FAN) e integrá-las ao próximo governo que assuma a presidência.
No último quatro de fevereiro, dia em que Chávez e seus seguidores comemoram a tentativa do golpe de Estado de 1992, o presidente declarou que as Forças Aramadas Nacionais (FAN) são chavistas, contrariando a Constituição Federal e suscitando rumores de este seria uma ameaça caso ocorra uma vitória da oposição em outubro.
As declarações do presidente soaram como uma afronta e intimidação àqueles que pensam em ir às urnas no domingo. Outro receio da população é ter seu nome veiculado em alguma lista negra, similar a Lista Tascón, onde todos que assinaram em prol do referendum revogatório sofreram algum tipo de sanção por parte do governo.
Colette Capriles acredita que apenas uma pequena parcela da população irá exercer seu direito de votar no domingo, já que não há obrigatoriedade do voto na Venezuela, como, por exemplo, acontece no Brasil:
- Acredita-se que haverá cerca de quatro milhões de abstenções no próximo domingo, que é o número de funcionários contratados pelo Estado e este é um tema delicado. Acredito que a participação popular será entre 10% e 20% no próximo domingo, mas este número certamente será bastante maior em outubro, estimou.
Teresa Albanes, presidente da Comissão Eleitoral das Primárias, em entrevista coletiva, explicou que a população não precisa ter medo de votar e explicou as regras definidas para que cada eleitor tenha sua privacidade resguardada e não será usada a tinta para marcar cada votante:
- Ninguém vai ter seu dedo pintado. O registro onde aparecerá o nome do eleitor estará em mãos de integrantes da MUD e após a verificação do número de votos e votantes esta lista será queimada. Não há risco desta listagem parar em mãos erradas. Está garantida a privacidade para cada venezuelano votar em quem quer que seja, garantiu Albanes.
Diego Arria, o candidato das Redes Sociais
Enquanto a maioria dos candidatos ia às ruas para conquistar o eleitor, o ex-embaixador e ex-secretário de Kofi Annan nas Nações Unidas, Diego Arria, depois de denunciar Hugo Chávez na Corte penal Internacional de Haya, preferiu usar as redes sociais para ser a vitrine de sua campanha.
Sempre com seus aparelhos celulares de última geração em mãos, o povo venezuelano é um dos que mais faz uso das redes sociais, seja para expressar suas opiniões ou para obter informação. O artifício tecnológico foi aproveitado pelos pré-candidatos. Mas, neste ponto, Diego Arria superou a todos. No Twitter @Diego_Arria foram postadas 35 mil mensagens aos 131 mil seguidores.
O canal de Arria no Youtube apresenta 207 vídeos que contam sua trajetória política e suas ambições para a Venezuela. Para efeito de comparação, o candidato que vem liderando as pesquisas postou cerca de quatro mil twitters para os 360 mil seguidores.
Diego se denomina o presidente da transição, propõe criar uma nova Constituição e estabelecer um período de governo de três anos, metas que segundo ele permitiriam recriar o país.
Nesta corrida presidencial onde todos estão por e um está por todos, os candidatos evitam falar mal uns dos outros e tentam demonstrar união, conforme sugere o nome da coligação: Mesa de Unidade Democrática. Mas não é o que parece acontecer com Diego Arria e o também pré-candidato Pablo Medina, cujas candidaturas estão opacadas, seja pela linha de campanha, seja pelo pasado.
- A ida de Diego a Haya o isolou. O governo de Hugo Chávez não é comparável ao de Augusto Pinochet (militar que comandou a ditadura no Chile), tampouco a oposição se parece com a oposição chilena. Levar Chávez a Haya foi visto pela oposição como uma briga na qual não vale a pena meter-se, explicou Argélia Ríos.
Antes com Chávez, agora contra Chávez
O ex-guerrilheiro Pablo Medina tem história para contar. Nasceu em uma família pobre no interior do país e ainda muito cedo abandonou os estudos para entrar para a guerrilha. De lá foi estudar na antiga União Soviética, onde ficou encantado pelos direitos sociais, embora seja contra que o Estado seja dono de tudo e que não haja democracia. Trabalhou em Sidor, o Complexo Siderúrgico do Orinoco. Ao se mudar para Caracas chegou à Faculdade de Direito, mas abandonou o curso pela causa sindical. Afirma ter conhecido Hugo Chávez em 1977, coisa que o presidente nega, mas ambos orquestraram o golpe de 1992 que fracassou.
Ele não esclarece o que houve para romper com o antigo colega de causas revolucionárias, mas dá mostras de que Chávez o deixou desprotegido ao não enviar as armas que ambos haviam combinado para o mencionado golpe de 1992.
Sua última excentricidade foi denunciar o presidente na Organização de Estados Americanos (OEA), na última quinta-feira (09 de fevereiro) sobre um possível autogolpe de Hugo Chávez, vide as recentes declarações sobre a proximidade entre a FAN e o regime bolivariano, caso o resultado nas urnas em outubro deste ano seja favorável à ala opositora.
- O general Rangel Silva está parcializado. É necessário ter um militar institucional e ético. Esperamos uma observação internacional que esteja no país em até seis meses antes do proceso eleitoral, declarou.
Entre suas propostas de governo, Medina aposta na criação de uma aliança social para fortalecer a economia e gerar emprego. Caso tome posse, a primeira coisa seria convocar uma Assembleia Constituinte para modificar os poderes públicos. O sindicalista e dirigente do Partido Laborista manteria o controle cambiário, mas em outra esfera fora da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi) por considerá-la “uma fonte de corrupção”.
Ainda divididos, porém com maior disposição ao diálogo que em anos atrás, o povo venezuelano terá que decidir se continua com o mesmo regime e suas possibilidades ou se parte para o desafio de escolher um dos cinco pré-candidatos.
- Não há grande diferenças ideológicas entre eles, que são todos social-democratas com algumas intervenções. Eles mantêm um acordo tácito, mas, sem dúvida, há matizes que privilegiam um ou outro em maior e menor escala, mas os projetos são os mesmos. A unidade é o que vai resolver, afinal o venezuelano está cansado de brigas e de divisões, explica Colette.
Segundo a especialista na área política, está será uma boa oportunidade para avaliar como o chavismo sustenta sua popularidade mesmo 13 anos depois de ter chegado ao governo.
- Vai ser uma boa oportunidade de mudança para fazer uma verificação do setor político no país, sem contar com a saúde do presidente, cujo hermetismo das informações não nos deixa claro por mais quanto tempo ele estará no poder, disse Colette Capriles.
É neste amplo e complexo panorama que alguns venezuelanos, aqueles descontentes com o governo de Hugo Chávez, vãos às urnas para escolher o caminho que tomará o país.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Crianças armadas escandalizam a Venezuela
O popular bairro de 23 de Enero, em Caracas, sempre guarda surpresas. Reduto dos mais ferrenhos chavistas de todo o país, desta vez o que foi mostrado por lá surpreendeu até mesmo partidários do governo de Hugo Chávez.
Diante das imagens de Cristo e da Virgem de Coromoto, a padroeira do país, ambos munidos de metralhadoras, crianças usando camisas vermelhas e com o rosto coberto por lenços seguravam armas de grosso calibre durante um ato político realizado na última segunda-feira (23 de janeiro) em comemoração à queda da ditadura de Marcos Pérez Jimenez.
O escândalo repercutiu em esfera nacional e levou a Defensoria Popular a investigar os responsáveis pelo ato.
As crianças paramilitares, como estão sendo chamadas, foram ao local para participar dos atos de comemoração e então receberam cada uma um fuzil e um manual, cujo conteúdo é desconhecido. É comum crianças e jovens daquela comunidade receberem treinamentos militares como forma de doutrinamento.
O bairro, considerado território com leis próprias, é comandado por cerca de 15 coletivos – nome dado a grupos que guardam o local, onde vivem cerca de 84 mil pessoas.
O Coletivo 23 de Enero afirmou que as imagens foram manipuladas e que as armas seguradas pelos menores de idade não são verdadeiras.
Diante das imagens de Cristo e da Virgem de Coromoto, a padroeira do país, ambos munidos de metralhadoras, crianças usando camisas vermelhas e com o rosto coberto por lenços seguravam armas de grosso calibre durante um ato político realizado na última segunda-feira (23 de janeiro) em comemoração à queda da ditadura de Marcos Pérez Jimenez.
O escândalo repercutiu em esfera nacional e levou a Defensoria Popular a investigar os responsáveis pelo ato.
As crianças paramilitares, como estão sendo chamadas, foram ao local para participar dos atos de comemoração e então receberam cada uma um fuzil e um manual, cujo conteúdo é desconhecido. É comum crianças e jovens daquela comunidade receberem treinamentos militares como forma de doutrinamento.
O bairro, considerado território com leis próprias, é comandado por cerca de 15 coletivos – nome dado a grupos que guardam o local, onde vivem cerca de 84 mil pessoas.
O Coletivo 23 de Enero afirmou que as imagens foram manipuladas e que as armas seguradas pelos menores de idade não são verdadeiras.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Embaixador mexicano é sequestrado na Venezuela
O embaixador do México na Venezuela, Carlos Pujalte, foi sequestrado na noite de ontem ao sair do Country Club de Caracas. O dipolmata, que estava acompanhado de sua esposa, foi mantido refém por durante três horas e liberado nas proximidades da favela Chapellín, também em Caracas.
De acordo com estimativas, ocorrem diariamente cerca de 46 sequestros rápidos somente na capital venezuelana.
De acordo com estimativas, ocorrem diariamente cerca de 46 sequestros rápidos somente na capital venezuelana.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Nem morte de Procurador, nem sismo. O destaque foi Hermes Ramírez
Ontem foi um dia agitado por estas bandas. Durante a madrugada de terça para quarta-feira, o estado Lara sofreu um abalo sísmico de 3, 2 graus na escala Richter e não chegou a fazer vítimas. No início da tarde outra surpresa chegou aos venezuelanos: a morte do Procurador Geral da Venezuela, Carlos Escarrá, que sofreu um ataque cardíaco.
Em meio a estas noticias, quem ganhou espaço na rádio popular das ruas foi Hermes Ramírez. Ele não é político, não está às voltas com campanhas eleitorais, não é porta-voz de nenhuma causa, mas sua fama é conhecida em todo o país. Hermes Ramírez é um famoso astrólogo, tarólogo e vidente. Seu programa de TV é um dos mais vistos e suas previsões são tidas como certeiras, que o diga “uma série de abalos sísmicos e a morte de um político famoso”, conforme declarou em dezembro passado quando anunciava o que estava por vir.
Também chamado de “O Iluminado”, Hermes vem semeando expectativas entre seu público cativo (e também naqueles que dizem não gostar desse tipo de coisas) ao dizer que em breve fará um programa especial de TV para dizer quem estará à frente da presidência da Venezuela. Sem dúvida, será o horário mais bem pago da TV venezuelana, afinal esta é a pergunta que só vai calar após sete de outubro, dia das eleições presidenciais.
Em meio a estas noticias, quem ganhou espaço na rádio popular das ruas foi Hermes Ramírez. Ele não é político, não está às voltas com campanhas eleitorais, não é porta-voz de nenhuma causa, mas sua fama é conhecida em todo o país. Hermes Ramírez é um famoso astrólogo, tarólogo e vidente. Seu programa de TV é um dos mais vistos e suas previsões são tidas como certeiras, que o diga “uma série de abalos sísmicos e a morte de um político famoso”, conforme declarou em dezembro passado quando anunciava o que estava por vir.
Também chamado de “O Iluminado”, Hermes vem semeando expectativas entre seu público cativo (e também naqueles que dizem não gostar desse tipo de coisas) ao dizer que em breve fará um programa especial de TV para dizer quem estará à frente da presidência da Venezuela. Sem dúvida, será o horário mais bem pago da TV venezuelana, afinal esta é a pergunta que só vai calar após sete de outubro, dia das eleições presidenciais.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Uma candanguinha do barulho
Imagine um país onde há um forte controle cambiário e a filha do presidente resolve postar no Facebook uma foto na qual aparece segurando notas da moeda norte-americana. Foi exatamente isso que fez Rosinés Chávez, a filha adolescente de Hugo Chávez.
A jovem, de 14 anos, suscitou inúmeras reivindicações nas redes sócias, sobretudo no Twitter, ao postar uma foto na qual aparece segurando alguns dólares.
Não é para menos: para conseguir algumas notas da moeda estrangeira, os venezuelanos precisam enfrentar a forte burocracia: após já ter comprado a passagem e ter em mãos o recibo carimbado pela empresa aérea é necessário levar a um banco uma pasta com inúmeros requisitos (a chamada “carpeta Cadivi”) e então esperar alguns dias para obter parcos dólares. A quantia vendida pelo governo varia de acordo com o destino no exterior.
Piadistas que só eles, os venezuelanos não tardaram em fazer o mesmo que Rosinés, obviamente alterando os dólares pela moeda local, o bolívar forte, ou usando as planilhas e documentos necessários para conseguir os dólares do governo, entre outras coisas.
Registrada no Twitter com o perfil @RosinesCandanga, à cópia do pai que usa @ChavezCandanga, a menina possui mais de seis mil seguidores e vira e mexe é tema dos noticiários locais. Rosinés parece ter usado seu sobrenome para ter um encontro exclusivo com o ídolo teen norte-americano Justin Bieber, quando este veio a Venezuela para fazer um show. Claro que ela não quis ficar calada e acabou postando uma foto na aparece com o famoso cantor.
A jovem, de 14 anos, suscitou inúmeras reivindicações nas redes sócias, sobretudo no Twitter, ao postar uma foto na qual aparece segurando alguns dólares.
Não é para menos: para conseguir algumas notas da moeda estrangeira, os venezuelanos precisam enfrentar a forte burocracia: após já ter comprado a passagem e ter em mãos o recibo carimbado pela empresa aérea é necessário levar a um banco uma pasta com inúmeros requisitos (a chamada “carpeta Cadivi”) e então esperar alguns dias para obter parcos dólares. A quantia vendida pelo governo varia de acordo com o destino no exterior.
Piadistas que só eles, os venezuelanos não tardaram em fazer o mesmo que Rosinés, obviamente alterando os dólares pela moeda local, o bolívar forte, ou usando as planilhas e documentos necessários para conseguir os dólares do governo, entre outras coisas.
Registrada no Twitter com o perfil @RosinesCandanga, à cópia do pai que usa @ChavezCandanga, a menina possui mais de seis mil seguidores e vira e mexe é tema dos noticiários locais. Rosinés parece ter usado seu sobrenome para ter um encontro exclusivo com o ídolo teen norte-americano Justin Bieber, quando este veio a Venezuela para fazer um show. Claro que ela não quis ficar calada e acabou postando uma foto na aparece com o famoso cantor.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O vermelho democrático
Durante o debate realizado na noite de ontem com os pré-candidatos à presidência da Venezuela ela chamou atenção. Maria Corina Machado, a única mulher na corrida presidencial, se destacou entre os outros seis candidatos ao usar a cor que representa o oficialismo: o vermelho.
Usar vermelho na Venezuela não é algo simples, corriqueiro. Antes, se alguém usava esta cor logo era chamado de chavista por alguém da oposição ou de camarada por algum chavista.
Acontece que muitos já não aceitam a "usurpação" desta cor tão vibrante e está se tornando comum ver "esquálidos" de carteirinha vestindo vermelho. Eles dizem que a cor é de todos, não apenas de uma ala da sociedade.
Durante as quase duas horas de debate, Maria Corina Machado liderou os comentários nas redes sociais e foi, sem dúvida, o grande destaque da noite.
Usar vermelho na Venezuela não é algo simples, corriqueiro. Antes, se alguém usava esta cor logo era chamado de chavista por alguém da oposição ou de camarada por algum chavista.
Acontece que muitos já não aceitam a "usurpação" desta cor tão vibrante e está se tornando comum ver "esquálidos" de carteirinha vestindo vermelho. Eles dizem que a cor é de todos, não apenas de uma ala da sociedade.
Durante as quase duas horas de debate, Maria Corina Machado liderou os comentários nas redes sociais e foi, sem dúvida, o grande destaque da noite.
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