Nem tudo o que se lê é. Esta foi a minha conclusão depois de ir algunas vezes ao mercado e sair de mãos abanando. Pensava em comprar carne moída para fazer uns hamburgueres, mas, ao olhar a vitrine de frios, só encontrei “carne de ganso moída”. Aquilo para mim foi deveras estranho. Pensei: nossa, que exótico! Aqui comem carne de ganso e ainda por cima moída!
No dia seguinte voltei e mais uma vez só encontrei carne moída de ganso. Saí pensando em onde encontrar uma simples carne moída, de gado obviamente, mas parecia ser algo raro no açougue dos mercados locais.
Foi então que chegou o mico: ao comentar minha dificuldade de encontrar a carne moída, meu marido riu aos montes. Eu não entendia o motivo… Ainda rindo ele comentou que carne de ganso não era carne de ave e sim um corte da carne bovina, tal qual o conhecido "lagarto" vendido no Brasil.
Agora toda vez que vou ao mercado fico rindo sozinha do mico que paguei e da carne de ganso que não comprei!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O ovo da pata e o ovo da galinha

Diz a sabedoria popular que o ovo da pata é mais rico em nutrientes e mais saboroso que o da galinha. No entanto, sabe-se que o mais consumido é o segundo. Qual seria o motivo de tal preferência?
Acontece que a galinha quando põe seus ovos cacareja aos montes, logo chamando a atenção. Já a pata é bem mais discreta, só dando uma olhada no ninho para saber se há ou não ovos.
Este é o exemplo mais perfeito para responder um questionamento que me fiz logo ao chegar em Caracas: se o Cerro Ávila toma a cidade de ponta a ponta e sua densa vegetação faz um grande contra-ponto com os edifícios e arranha-céus daqui, por que o Parque Nacional da Tijuca, localizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, é conhecido como a “maior floresta urbana do mundo”?
É a questão do ovo da pata: o Parque Nacional El Ávila é uma das principais atrações turísticas de Caracas e pode ser visto desde quase toda a cidade. Sua vegetação se expande por uma área de 85.192 hectares, superficie vinte vezes superior à do Parque Nacional da Tijuca, com os seus 3.972 hectares.
Ao contrário dos benfeitores do parque venezuelano, os do parque tijucano fazem bastante divulgação. Logo o Parque Nacional da Tijuca leva a fama mundial e arrebata milhares de visitantes – nacionais e estrangeiros – durante todo o ano. É o ovo da galinha...
Osmel Sousa, o criador das misses venezuelanas

Parecia missão imposível uma miss universo coroar sua compatriota. Mas graças às diretrizes de Osmel Sousa no último domingo o mundo viu Stefanía Fernández receber a coroa da também venezuelana Dayana Mendoza no concurso Miss Universo 2009.
A vitoriosa deixou para tras belezas de 83 países e a coroação de Stefanía só fez laurear ainda mais Osmel Sousa. O presidente da Organização Miss Venezuela tem em seu currículo a vitória de venezuelanas em diversos concursos de beleza, nacionais e internacionais.
Além de petróleo e Hugo Chávez este país é sinônimo de belas mulheres graças a Osmel, que revela o segredo do sucesso: disciplina, treinamento, cirurgia plástica e estética facial e dental.
Nacido em Cuba e residente na Venezuela desde os dez anos de idade, Osmel por aqui é conhecido como o “Czar da Beleza”. Toda beldade que quer ganhar o concurso segue piamente os seus ensinamentos e ordens.
Para ele preparar misses é como treinar atletas. Desde 1981 a sua obesessão pela beleza e forma perfeitas o tornaram alvo de críticas, mas quem se interessa em críticas após tantas vitórias dentro e fora do país?
- É como preparar um atleta para uma competição internacional. Um atleta tem que trabalhar 24 foras por dia. O treinamento é feito para fazê-lo ganhar e nós temos que prepará-las para ganhar, disse.
Quando criança seu passatempo preferido era brincar com Barbies e quando começou a trabalhar na Organização Miss Venezuela viu sua diversão se personificar nas milhares de candidatas que o procuram anualmente.
O Czar da Beleza destaca uma verdade: a Miss Venezuela é a mais esperada do concurso internacional. Desde a vitória de Alícia Machado, em 1996, tem sido assim.
Sousa é contrário a intromissões políticas da mesma forma que é contra as perguntas feitas nos concursos:
- Eu sempre fui contra as perguntas. O concurso é de beleza, não de inteligencia. Essas meninas são todas jovens e não se pode pedir muito a elas. A pergunta não pode ser a mesma para uma moça de 18 anos e para outra de 25, explica.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Faz pouco menos de um mês que comecei a morar em Caracas, Venezuela. A capital é interessante e a cultura, bem diversificada. No entanto, como é de se supor, o que mais chama atenção por aquí é a questão política. Seja nas ruas ou em reuniões sociais, falar de política é como “echar a perder” qualquer momento de diversão.
Neste pouco tempo já ouvi estórias curiosas e tristes. Uma me chamou a atenção: Margarida (nome fictício) saiu do Rio Grande do Sul há uns 30 e poucos anos, como ela mesma diz, em busca da liberdade democrática – algo que não era praxe no Brasil daquela época. Em Caracas formou família, praticou sua formação e agora, mesmo com a estabilidade financiera que conseguiu, planeja o caminho inverso em busca do que não mais encontra por aqui.
O atendimento aqui deixa a desejar (não que no Rio de Janeiro – minha cidade natal - o tratamento nos estabelecimentos seja de excelência) e quando se questiona o motivo da demora, a resposta é rápida: “você está na Venezuela”! Aqui estou e procuro então relaxar e viver o “venezuelan way of life”.
Acredito que nada é 100% bom e nada é 100% ruim; por isto quando surgiu a oportunidade, resolvi viver aqui. Embora quando se fale de Venezuela o que as pessoas lembram de imediato é de seu mandatário, o país conta com uma infinidade de belezas naturais: é banhado pelo mar Caribe, possui a maior queda d´água do mundo - Salto Angel, é dotado de uma parte da Amazônia e ainda, apesar de ser um país tropical localizado pouco acima da linha do Equador, abriga uma pequena parte da Cordilheira Andina, onde está localizada a cidade de Mérida e na qual durante alguns meses é possível apreciar a neve nos picos altos da montanha.
Mas o que me impulsionou a criar este blog foi a troca mensagens de leitores sobre a notícia publicada na edição de 19/08/2009 do jornal “El Universal” informando a visita de uma delegação brasileira para impulsionar o intercâmbio comercial entre ambos os países.
A questão investimentos estrangeiros no país bolivariano levou o leitor Manuel dos Santos a postar: “é melhor que voltem ao Brasil, já que é um grande risco investir em um país ondem hoje dizem uma coisa e no dia seguinte a anulam, nacionalizam e expropriam empresas. Esqueçam de negócios com a Venezuela. Ninguém pode investir em um país que está caindo aos pedaços”.
A recente onda de nacionalizações levou o Clodoveo Pelaez a escrever: “se falar português é uma condição do Governo para não expropriar empresas, deveriam habilitar cursos acelerados deste idioma para os empresários”….
Ao fim de 2008 o intercâmbio comercial entre Venezuela e Brasil alcançou os 5,6 bilhões de dólares, com crescimento de 12,21 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com dados do empresariado brasileiro.
A Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela destacou que o balanço comercial é notoriamente desfavorável à Venezuela, que importou do Brasil algo em torno de 5,1 bilhões de dólares e exportou apenas o equivalente a 538 milhões da moeda americana.
Neste pouco tempo já ouvi estórias curiosas e tristes. Uma me chamou a atenção: Margarida (nome fictício) saiu do Rio Grande do Sul há uns 30 e poucos anos, como ela mesma diz, em busca da liberdade democrática – algo que não era praxe no Brasil daquela época. Em Caracas formou família, praticou sua formação e agora, mesmo com a estabilidade financiera que conseguiu, planeja o caminho inverso em busca do que não mais encontra por aqui.
O atendimento aqui deixa a desejar (não que no Rio de Janeiro – minha cidade natal - o tratamento nos estabelecimentos seja de excelência) e quando se questiona o motivo da demora, a resposta é rápida: “você está na Venezuela”! Aqui estou e procuro então relaxar e viver o “venezuelan way of life”.
Acredito que nada é 100% bom e nada é 100% ruim; por isto quando surgiu a oportunidade, resolvi viver aqui. Embora quando se fale de Venezuela o que as pessoas lembram de imediato é de seu mandatário, o país conta com uma infinidade de belezas naturais: é banhado pelo mar Caribe, possui a maior queda d´água do mundo - Salto Angel, é dotado de uma parte da Amazônia e ainda, apesar de ser um país tropical localizado pouco acima da linha do Equador, abriga uma pequena parte da Cordilheira Andina, onde está localizada a cidade de Mérida e na qual durante alguns meses é possível apreciar a neve nos picos altos da montanha.
Mas o que me impulsionou a criar este blog foi a troca mensagens de leitores sobre a notícia publicada na edição de 19/08/2009 do jornal “El Universal” informando a visita de uma delegação brasileira para impulsionar o intercâmbio comercial entre ambos os países.
A questão investimentos estrangeiros no país bolivariano levou o leitor Manuel dos Santos a postar: “é melhor que voltem ao Brasil, já que é um grande risco investir em um país ondem hoje dizem uma coisa e no dia seguinte a anulam, nacionalizam e expropriam empresas. Esqueçam de negócios com a Venezuela. Ninguém pode investir em um país que está caindo aos pedaços”.
A recente onda de nacionalizações levou o Clodoveo Pelaez a escrever: “se falar português é uma condição do Governo para não expropriar empresas, deveriam habilitar cursos acelerados deste idioma para os empresários”….
Ao fim de 2008 o intercâmbio comercial entre Venezuela e Brasil alcançou os 5,6 bilhões de dólares, com crescimento de 12,21 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com dados do empresariado brasileiro.
A Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela destacou que o balanço comercial é notoriamente desfavorável à Venezuela, que importou do Brasil algo em torno de 5,1 bilhões de dólares e exportou apenas o equivalente a 538 milhões da moeda americana.
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