quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O ovo da pata e o ovo da galinha



Diz a sabedoria popular que o ovo da pata é mais rico em nutrientes e mais saboroso que o da galinha. No entanto, sabe-se que o mais consumido é o segundo. Qual seria o motivo de tal preferência?

Acontece que a galinha quando põe seus ovos cacareja aos montes, logo chamando a atenção. Já a pata é bem mais discreta, só dando uma olhada no ninho para saber se há ou não ovos.

Este é o exemplo mais perfeito para responder um questionamento que me fiz logo ao chegar em Caracas: se o Cerro Ávila toma a cidade de ponta a ponta e sua densa vegetação faz um grande contra-ponto com os edifícios e arranha-céus daqui, por que o Parque Nacional da Tijuca, localizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, é conhecido como a “maior floresta urbana do mundo”?

É a questão do ovo da pata: o Parque Nacional El Ávila é uma das principais atrações turísticas de Caracas e pode ser visto desde quase toda a cidade. Sua vegetação se expande por uma área de 85.192 hectares, superficie vinte vezes superior à do Parque Nacional da Tijuca, com os seus 3.972 hectares.

Ao contrário dos benfeitores do parque venezuelano, os do parque tijucano fazem bastante divulgação. Logo o Parque Nacional da Tijuca leva a fama mundial e arrebata milhares de visitantes – nacionais e estrangeiros – durante todo o ano. É o ovo da galinha...

Osmel Sousa, o criador das misses venezuelanas



Parecia missão imposível uma miss universo coroar sua compatriota. Mas graças às diretrizes de Osmel Sousa no último domingo o mundo viu Stefanía Fernández receber a coroa da também venezuelana Dayana Mendoza no concurso Miss Universo 2009.

A vitoriosa deixou para tras belezas de 83 países e a coroação de Stefanía só fez laurear ainda mais Osmel Sousa. O presidente da Organização Miss Venezuela tem em seu currículo a vitória de venezuelanas em diversos concursos de beleza, nacionais e internacionais.

Além de petróleo e Hugo Chávez este país é sinônimo de belas mulheres graças a Osmel, que revela o segredo do sucesso: disciplina, treinamento, cirurgia plástica e estética facial e dental.

Nacido em Cuba e residente na Venezuela desde os dez anos de idade, Osmel por aqui é conhecido como o “Czar da Beleza”. Toda beldade que quer ganhar o concurso segue piamente os seus ensinamentos e ordens.

Para ele preparar misses é como treinar atletas. Desde 1981 a sua obesessão pela beleza e forma perfeitas o tornaram alvo de críticas, mas quem se interessa em críticas após tantas vitórias dentro e fora do país?

- É como preparar um atleta para uma competição internacional. Um atleta tem que trabalhar 24 foras por dia. O treinamento é feito para fazê-lo ganhar e nós temos que prepará-las para ganhar, disse.

Quando criança seu passatempo preferido era brincar com Barbies e quando começou a trabalhar na Organização Miss Venezuela viu sua diversão se personificar nas milhares de candidatas que o procuram anualmente.

O Czar da Beleza destaca uma verdade: a Miss Venezuela é a mais esperada do concurso internacional. Desde a vitória de Alícia Machado, em 1996, tem sido assim.

Sousa é contrário a intromissões políticas da mesma forma que é contra as perguntas feitas nos concursos:

- Eu sempre fui contra as perguntas. O concurso é de beleza, não de inteligencia. Essas meninas são todas jovens e não se pode pedir muito a elas. A pergunta não pode ser a mesma para uma moça de 18 anos e para outra de 25, explica.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Faz pouco menos de um mês que comecei a morar em Caracas, Venezuela. A capital é interessante e a cultura, bem diversificada. No entanto, como é de se supor, o que mais chama atenção por aquí é a questão política. Seja nas ruas ou em reuniões sociais, falar de política é como “echar a perder” qualquer momento de diversão.

Neste pouco tempo já ouvi estórias curiosas e tristes. Uma me chamou a atenção: Margarida (nome fictício) saiu do Rio Grande do Sul há uns 30 e poucos anos, como ela mesma diz, em busca da liberdade democrática – algo que não era praxe no Brasil daquela época. Em Caracas formou família, praticou sua formação e agora, mesmo com a estabilidade financiera que conseguiu, planeja o caminho inverso em busca do que não mais encontra por aqui.

O atendimento aqui deixa a desejar (não que no Rio de Janeiro – minha cidade natal - o tratamento nos estabelecimentos seja de excelência) e quando se questiona o motivo da demora, a resposta é rápida: “você está na Venezuela”! Aqui estou e procuro então relaxar e viver o “venezuelan way of life”.

Acredito que nada é 100% bom e nada é 100% ruim; por isto quando surgiu a oportunidade, resolvi viver aqui. Embora quando se fale de Venezuela o que as pessoas lembram de imediato é de seu mandatário, o país conta com uma infinidade de belezas naturais: é banhado pelo mar Caribe, possui a maior queda d´água do mundo - Salto Angel, é dotado de uma parte da Amazônia e ainda, apesar de ser um país tropical localizado pouco acima da linha do Equador, abriga uma pequena parte da Cordilheira Andina, onde está localizada a cidade de Mérida e na qual durante alguns meses é possível apreciar a neve nos picos altos da montanha.

Mas o que me impulsionou a criar este blog foi a troca mensagens de leitores sobre a notícia publicada na edição de 19/08/2009 do jornal “El Universal” informando a visita de uma delegação brasileira para impulsionar o intercâmbio comercial entre ambos os países.
A questão investimentos estrangeiros no país bolivariano levou o leitor Manuel dos Santos a postar: “é melhor que voltem ao Brasil, já que é um grande risco investir em um país ondem hoje dizem uma coisa e no dia seguinte a anulam, nacionalizam e expropriam empresas. Esqueçam de negócios com a Venezuela. Ninguém pode investir em um país que está caindo aos pedaços”.
A recente onda de nacionalizações levou o Clodoveo Pelaez a escrever: “se falar português é uma condição do Governo para não expropriar empresas, deveriam habilitar cursos acelerados deste idioma para os empresários”….

Ao fim de 2008 o intercâmbio comercial entre Venezuela e Brasil alcançou os 5,6 bilhões de dólares, com crescimento de 12,21 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com dados do empresariado brasileiro.

A Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela destacou que o balanço comercial é notoriamente desfavorável à Venezuela, que importou do Brasil algo em torno de 5,1 bilhões de dólares e exportou apenas o equivalente a 538 milhões da moeda americana.