Faz pouco menos de um mês que comecei a morar em Caracas, Venezuela. A capital é interessante e a cultura, bem diversificada. No entanto, como é de se supor, o que mais chama atenção por aquí é a questão política. Seja nas ruas ou em reuniões sociais, falar de política é como “echar a perder” qualquer momento de diversão.
Neste pouco tempo já ouvi estórias curiosas e tristes. Uma me chamou a atenção: Margarida (nome fictício) saiu do Rio Grande do Sul há uns 30 e poucos anos, como ela mesma diz, em busca da liberdade democrática – algo que não era praxe no Brasil daquela época. Em Caracas formou família, praticou sua formação e agora, mesmo com a estabilidade financiera que conseguiu, planeja o caminho inverso em busca do que não mais encontra por aqui.
O atendimento aqui deixa a desejar (não que no Rio de Janeiro – minha cidade natal - o tratamento nos estabelecimentos seja de excelência) e quando se questiona o motivo da demora, a resposta é rápida: “você está na Venezuela”! Aqui estou e procuro então relaxar e viver o “venezuelan way of life”.
Acredito que nada é 100% bom e nada é 100% ruim; por isto quando surgiu a oportunidade, resolvi viver aqui. Embora quando se fale de Venezuela o que as pessoas lembram de imediato é de seu mandatário, o país conta com uma infinidade de belezas naturais: é banhado pelo mar Caribe, possui a maior queda d´água do mundo - Salto Angel, é dotado de uma parte da Amazônia e ainda, apesar de ser um país tropical localizado pouco acima da linha do Equador, abriga uma pequena parte da Cordilheira Andina, onde está localizada a cidade de Mérida e na qual durante alguns meses é possível apreciar a neve nos picos altos da montanha.
Mas o que me impulsionou a criar este blog foi a troca mensagens de leitores sobre a notícia publicada na edição de 19/08/2009 do jornal
“El Universal” informando a visita de uma delegação brasileira para impulsionar o intercâmbio comercial entre ambos os países.
A questão investimentos estrangeiros no país bolivariano levou o leitor Manuel dos Santos a postar: “é melhor que voltem ao Brasil, já que é um grande risco investir em um país ondem hoje dizem uma coisa e no dia seguinte a anulam, nacionalizam e expropriam empresas. Esqueçam de negócios com a Venezuela. Ninguém pode investir em um país que está caindo aos pedaços”.
A recente onda de nacionalizações levou o Clodoveo Pelaez a escrever: “se falar português é uma condição do Governo para não expropriar empresas, deveriam habilitar cursos acelerados deste idioma para os empresários”….
Ao fim de 2008 o intercâmbio comercial entre Venezuela e Brasil alcançou os 5,6 bilhões de dólares, com crescimento de 12,21 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com dados do empresariado brasileiro.
A Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela destacou que o balanço comercial é notoriamente desfavorável à Venezuela, que importou do Brasil algo em torno de 5,1 bilhões de dólares e exportou apenas o equivalente a 538 milhões da moeda americana.